Mercado de “bets” tira recursos do consumo e gera crises de dívida e saúde no Brasil

Intenção de consumo para o 3º trimestre está 7,78% mais alta que em 2022, diz Ibevar (Foto: Pexels)

As apostas esportivas online, liberadas no Brasil desde 2018 sem regulação, criaram um mercado bilionário impulsionado por forte presença em mídias como tevês e redes sociais. No entanto, o dinheiro investido nas apostas, conhecidas como “bets”, tem gerado endividamento e problemas de saúde mental em diversas famílias, além de impacto no consumo e na poupança, de acordo com estudos.

De acordo com um levantamento do Itaú, brasileiros perderam 23,9 bilhões de reais em apostas esportivas entre junho de 2023 e junho de 2024, sendo os mais pobres os mais afetados. O mercado de apostas movimentou cerca de 68,20 bilhões de reais no período.

As apostas foram liberadas no final de 2018, com a expectativa de regulação em até quatro anos, o que não ocorreu. Em 2022, uma primeira etapa da regulação foi aprovada pelo Congresso, e novas regras estabelecidas pelo Ministério da Fazenda entrarão em vigor em outubro de 2024. Desde a Copa do Mundo de 2022, o investimento no setor aumentou significativamente no país.

Grandes sites internacionais de apostas, em parceria com empresas brasileiras, passaram a investir fortemente em propaganda, incluindo patrocínios em clubes de futebol e campeonatos. A regulamentação exige que as empresas de apostas tenham presença no Brasil, um sócio nacional, além de outros requisitos, como o pagamento de outorga. O governo recebeu 113 registros de empresas interessadas, incluindo grandes nomes como MGM Resorts International, Betfair e Caesars Sportsbook.

O governo estima que a arrecadação com as outorgas possa chegar a 3,4 bilhões de reais, além dos impostos que serão recolhidos com a regularização das bets. Contudo, há sinais de que as apostas estão desviando dinheiro da economia real. Um relatório do Santander apontou que, desde 2018, o percentual da renda familiar destinado a apostas subiu de 0,8% para 1,9%, com projeção de chegar a 2,4%.

Ao mesmo tempo, o gasto com compras de varejo, incluindo alimentos, roupas e medicamentos, caiu de 63% em 2021 para 57% em 2023. Pesquisas indicam que parte dos brasileiros está redirecionando seus recursos para as apostas. Um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, realizado em maio, mostrou que 63% dos entrevistados tiveram parte de sua renda comprometida pelas apostas, com 23% deixando de comprar roupas, 19% reduzindo compras de supermercado e 11% deixando de pagar contas.

As empresas de apostas online discordam do impacto negativo no consumo e atribuem a queda ao efeito da pandemia da Covid-19. Luiz Felipe Maia, advogado de empresas de apostas no Brasil, afirmou que o setor de varejo estaria usando as apostas como justificativa, destacando que a lei de regulamentação proíbe o uso de cartões de crédito nas apostas.

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