Um bilionário do Vale do Silício previu que a maioria dos empregos será substituída pela inteligência artificial (IA), independente da área de atuação. Vinod Khosla, cofundador da Sun Microsystems e investidor em empresas como Netscape, Amazon e Google, afirmou que até 80% dos empregos podem ser realizados por IA. Ele destacou que a tecnologia pode substituir profissionais de diversas áreas, incluindo médicos, psiquiatras, vendedores e engenheiros.
Em seu blog, Khosla explicou que passou as últimas quatro décadas estudando tecnologias disruptivas e chegou à conclusão de que a IA reduzirá a necessidade de trabalho humano, realizando funções de maneira mais eficiente. Para evitar uma “distopia econômica”, onde a riqueza se concentra no topo enquanto o trabalho é desvalorizado, resultando em desemprego em massa, ele aponta a renda básica universal (RBU) como solução. Khosla acredita que a IA poderia criar um mundo onde uma pequena elite prospera, enquanto o restante enfrenta instabilidade econômica, especialmente em uma democracia sem políticas fortes.
Ele ressaltou que, à medida que a IA reduz a necessidade de trabalho humano, a RBU pode se tornar crucial, com os governos desempenhando um papel importante na regulação do impacto da IA e na distribuição da riqueza. Khosla acredita que a IA tem o potencial de gerar riqueza suficiente para todos, o que poderia permitir a redução da jornada de trabalho.
Ele afirma que, com as políticas certas, poderia ser possível introduzir uma semana de trabalho de três dias. Segundo ele, em dez anos, um milhão de robôs bípedes poderá ter assumido várias tarefas repetitivas. Khosla sugere que trabalhadores de colarinho branco podem ser os primeiros a ser substituídos, mas que trabalhadores de colarinho azul também não estarão imunes à automação. Ele acredita que muitos serão mais felizes com essa mudança.
Khosla questiona se é gratificante passar horas lidando com tarefas mecânicas. Se 80% do trabalho for substituído por robôs, poderíamos ter uma semana de trabalho de um dia, onde os humanos realizariam apenas uma pequena parte do trabalho. Ele sugere que essa mudança poderia redefinir o que significa ser humano, libertando as pessoas da monotonia do trabalho.
Em vez de trabalhar longas horas, as pessoas poderiam se dedicar a hobbies ou passar tempo com familiares. Khosla conclui que a vida se tornaria mais significativa à medida que a necessidade de trabalhar 40 horas por semana poderia desaparecer em algumas décadas, para aqueles que se adaptarem às novas tecnologias.
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Os líderes do setor tecnológico compartilham a visão de que haverá menos trabalho devido à IA. Khosla não é o primeiro a reconhecer que a IA consumirá parte significativa da carga de trabalho, levando à necessidade de uma renda universal. Bill Gates acredita que a eficiência aumentada permitirá que a população trabalhe menos.
Gates, assim como Khosla, prevê uma semana de trabalho de três dias, pois as máquinas podem produzir o que precisamos, e não precisamos trabalhar tanto. Elon Musk também acredita que o trabalho se tornará “um hobby”. Ele diz que as pessoas poderão optar por ter um emprego ou buscar satisfação pessoal, enquanto a IA fará a maior parte do trabalho.
Avital Balwit, chefe de gabinete da Anthropic, uma startup de IA, previu que a maioria dos empregos está destinada à obsolescência. Ela imagina que as pessoas viverão de forma semelhante à nobreza em “Bridgerton” e “Downton Abbey”, caso suas necessidades materiais sejam atendidas sem a necessidade de trabalho.
Entretanto, especialistas preveem que melhorias tecnológicas permitirão aos trabalhadores reduzir sua carga horária, mas isso poderá resultar em tarefas mais produtivas para preencher o tempo economizado. John Maynard Keynes, em 1930, previu que, em um século, as pessoas trabalhariam apenas 15 horas por semana, pois as necessidades de consumo seriam atendidas com muito pouco trabalho. Essa previsão, no entanto, ainda não se concretizou.

