Ela procurou apartamentos em bairros como Bela Vista, Baixo Augusta e Ipiranga, próximos às Linhas Azul e Verde do metrô, mas encontrou poucas opções dentro do valor planejado, e muitas ficavam em regiões menos seguras ou longe do metrô. Para financiar um imóvel, Mariana precisaria de cerca de R$ 100 mil para a entrada, valor que ela ainda não possui. Como Microempreendedora Individual (MEI), sua renda mensal varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, e ela tem poucos anos de contribuição ao FGTS.
Apesar das dificuldades, 2024 tem sido promissor em termos de financiamento imobiliário. A Abecip projeta que a concessão de crédito chegue a R$ 270 bilhões neste ano, com um crescimento de 30% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período de 2023. O programa “Minha Casa, Minha Vida” contribuiu significativamente, com um aumento de 75% nos aportes via FGTS.
Por outro lado, para quem não acumulou recursos no FGTS ou em investimentos, o sonho da casa própria pode se distanciar. A necessidade de uma entrada significativa é um dos maiores desafios para iniciar o processo de financiamento. Flávia Tozzi, gerente de escola, conseguiu financiar um apartamento na Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo, usando 16 anos de contribuição ao FGTS para a entrada. Thamyres Moura, professora de idiomas, e seu marido também financiaram um apartamento após economizarem por três anos e utilizarem o “Minha Casa, Minha Vida”. Ambos os casos mostram a importância do planejamento financeiro e do uso do FGTS.
O custo do crédito imobiliário também tem aumentado, influenciado pela taxa Selic e pela alta nos preços de insumos e terrenos. Além disso, a ampliação do prazo de liquidez das LCI encareceu o crédito imobiliário, dificultando ainda mais o acesso ao financiamento.