Na véspera do discurso de Elon Musk em uma celebração do Cybertruck da Tesla, Paul Overeem, da Flórida, foi preso nas proximidades da fábrica em Austin, Texas, acusado de planejar um “evento em que haveria vítimas em massa”. O incidente ganhou manchete, mas o que ocorreu no evento da Tesla passou despercebido.
De acordo com fontes e documentos analisados pelo The New York Times, a segurança foi alertada sobre as ameaças de Overeem e se mobilizou. A lista de convidados foi cuidadosamente revisada, com cada pessoa escolhida com antecedência. Mais de trinta agentes de segurança da Tesla estavam posicionados na sala quando Musk subiu ao palco, além de guarda-costas de sua empresa de segurança, a Foundation Security.
Musk, que sempre teve uma personalidade desapegada, agora enfrenta um cenário diferente. À medida que sua riqueza e fama crescem, também aumentam as ameaças contra ele. Documentos policiais indicam que ele lida regularmente com stalkers e ameaças de morte. Musk intensificou sua proteção pessoal nos últimos anos, tornando sua equipe de segurança mais robusta em comparação com outros bilionários.
Documentos da Tesla mostram que Musk e suas empresas gastam milhões de dólares anualmente com segurança, incluindo a contratação da Gavin de Becker & Associates. Para reforçar sua proteção, Musk fundou a Foundation Security. Especialistas afirmam que sua equipe funciona como uma mini-Serviço Secreto, oferecendo proteção semelhante à de um chefe de Estado. Musk, que costumava contar com a companhia de dois guarda-costas, agora viaja com até 20 profissionais de segurança, que inspecionam rotas e revistam locais antes de sua entrada.
As ameaças à sua segurança levaram Musk a adotar um estilo de vida mais isolado. Ele raramente fica sem guarda-costas, mesmo em situações cotidianas. Ele já chegou a exagerar na gravidade das ameaças, afirmando incorretamente que pessoas indiciadas estavam armadas. Durante a reunião anual de acionistas da Tesla, Musk mencionou que as ameaças contra ele estão se tornando cada vez mais absurdas, refletindo sobre sua situação.
O estilo de vida atual de Musk contrasta com o de outros ultrarricos. Warren Buffett, por exemplo, manteve apenas um guarda-costas por muitos anos. O antecessor de Musk na X, Jack Dorsey, costumava caminhar por São Francisco sem segurança.
Este ano, a Tesla revelou que pagou US$ 2,4 milhões pela proteção de Musk em 2023. Documentos indicam que a empresa gastou US$ 500 mil nos primeiros dois meses de 2024, um aumento significativo em relação a anos anteriores. Comparativamente, a Apple gastou US$ 820 mil para proteger Tim Cook, enquanto a Amazon investiu US$ 1,6 milhão em Jeff Bezos. A Meta foi uma das poucas a gastar mais, com US$ 23,4 milhões na segurança de Mark Zuckerberg.
O Times coletou detalhes sobre a segurança de Musk a partir de documentos da Tesla, relatórios policiais e outros registros públicos. As informações foram obtidas de documentos que também pertenciam ao Handelsblatt, um jornal alemão. Pessoas próximas a Musk falaram sob condição de anonimato para não comprometer seus empregos.
No passado, Musk levava uma vida informal, mas, à medida que seu perfil aumentou, o conselho da Tesla exigiu que ele contratasse segurança pessoal. Em 2014, ele contava com guarda-costas da Gavin de Becker & Associates, uma empresa especializada em proteção de celebridades.
Os guarda-costas o acompanhavam em viagens, e o custo desses serviços frequentemente alcançava valores elevados. Quando Musk viajou para o México, Hong Kong, Londres, Paris, Israel e Texas em janeiro de 2016, a conta da de Becker foi de US$ 163.674,59, dividida entre a SpaceX, a Tesla e Musk.
A equipe de segurança também realizava pequenas tarefas para Musk, cobrindo suas despesas para minimizar sua exposição pública. Eles cuidavam de seu carro, buscavam suas roupas e até pagavam contas em hotéis.
A equipe da GDBA também ajudava Musk com avaliações de ameaças. Eles pesquisavam pessoas classificadas como “perseguidores inapropriados”. Um caso notável envolveu Stu Grossman, que, anos antes, havia sido dono do domínio “tesla.com”. Musk queria comprar o domínio, e Grossman acabou vendendo-o após ser abordado por investigadores que trabalhavam para Musk.

