Após ter perdido apoio no Parlamento, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, renunciou ao cargo pela segunda vez em uma semana nesta quinta-feira (21) — mas desta vez de uma forma definitiva.
A frente do cargo desde fevereiro de 2021, o economista se reuniu hoje com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, para anunciar sua decisão.
“O presidente da República recebeu nesta manhã o presidente do Conselho dos Ministros, professor Mario Draghi, o qual, após ter relatado sobre a votação de ontem no Senado, reiterou sua renúncia e a do governo por ele presidido”, disse o secretário-geral da Presidência da República, Ugo Zampetti à imprensa.
Mattarella deve se posicionar ainda hoje
Segundo o representante do governo, Draghi continuará no cargo até a nomeação de um sucessor — administrando apenas assuntos correntes. Após a divulgação da notícia, Mattarella deve receber os presidentes da Câmara dos Deputados, Roberto Fico, e do Senado, Elisabetta Casellati, para informar seus próximos passos.
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A expectativa agora é de que o chefe do Estado dissolva o Parlamento e convoque eleições ainda neste ano — antecipando o fim da legislatura, que deveria acontecer em março de 2023.
Discurso de Draghi
Antes de anunciar a renúncia, Draghi se emocionou ao fazer um breve discurso na Câmara dos Deputados. “Às vezes, até os banqueiros centrais usam o coração. Obrigado por isso e por todo o trabalho feito nesse período”, brincou o premiê sendo amplamente aplaudido por parte dos parlamentares.
O parlamentar já havia tentado renunciar na última quinta-feira (14), após o partido Movimento 5 Estrelas (M5S) ter boicotado uma moção de confiança a um projeto do governo no Senado. Naquele momento, o presidente da Itália rejeitou a renúncia e pediu que Draghi retornasse ao parlamento para verificar a possibilidade de continuar à frente do governo.
Em meio a tensão, o economista defendeu a sua gestão na última quarta-feira (20), pedindo a reconstrução de um pacto de confiança para realizar uma coalizão da união nacional, mas falhou na tentativa.
Conflito no parlamento da Itália
O primeiro-ministro optou por submeter ao voto de confiança uma resolução do senador de centro Pier Ferdinando Casini, que dizia apenas que a Câmara Alta aprovava seu discurso, porém a maioria da base governista decidiu não participar da sessão.
Após o discurso, a ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini, e o conservador Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, exigiam um sinal claro de ruptura com o M5S. Em contrapartida, o movimento antissistema acusou Draghi de colocar-se abertamente contra o partido, restando apenas a centro-esquerda e pequenas legendas de centro ao lado de seu governo.
“Não somos como os outros, quem assumiu a responsabilidade de prejudicar o país vai pagar as consequências nas urnas”, afirmou o ex-premiê Enrico Letta, líder do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. “O Parlamento se colocou contra o país, mas não todos, nós demonstramos que olhamos os interesses do país, e os eleitores vão premiar isso”, acrescentou.
Próximo mandatário
A Constituição italiana determina que as eleições devem acontecer 70 dias após a dissolução do Parlamento, período que deve acontecer no fim de setembro e o início de outubro, caso Matarrella implemente a legislatura ainda neste mês.
Assim, um novo governo tomaria posse entre o fim de outubro e o início de novembro, quando a Lei Orçamentária de 2023 já precisa estar protocolada no Parlamento.
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