Desde o ano passado, pudemos observar uma curva de aumento na taxa Selic. Mesmo que gradativa, os aumentos surpreenderam os investidores — chegando a taxa de 13,25% atualmente. Há expectativa de que ela volte a se estabilizar até o ano que vem a partir das próximas reuniões do Copom — mas ela ainda continua alta.
Na próxima quarta-feira (03) haverá a divulgação da nova taxa Selic após os dois dias de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do Banco Central, que define, a cada 45 dias, a taxa básica de juros da economia — a Selic.
Qual a importância da taxa Selic?
A taxa Selic também é chamada de “taxa mãe”, por nortear toda a política monetária do país e ser usada para conter as altas da inflação ou para incentivar o consumo.
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A taxa representa o índice básico de juros da nossa economia. Assim, é possível dizer que ela influencia todas as taxas de juros do país — inclusive as que incidem nas operações de crédito, financiamentos, empréstimos e lucros sobre investimentos.
Por que a taxa Selic sobe e desce?
As reuniões do Copom visam analisar a atual atividade econômica e a inflação. Por exemplo, se a inflação está controlada no país, o Comitê de Política Monetária reduz a Selic, estimulando o consumo e barateando o crédito — incentivando a compra de supérfluos e também torna o crédito para a compra de imóveis, por exemplo, mais barato.
No entanto, se a inflação está em uma crescente — como aconteceu em 2021, por exemplo — é necessário subir a taxa Selic para desincentivar a população a consumir, tornando os preços mais caros e o acesso a crédito mais difícil, visando justamente frear o consumo e os preços.
Na lei de ‘oferta e demanda’, as pessoas param de consumir tanto pela alta dos preços e a inflação tende a baixar. Quando isso acontece, o Comitê normalmente passa a desacelerar a taxa Selic, voltando a incentivar o consumo.
Como o BC faz isso na prática?
Por segurança, todas as noites os bancos precisam ter parte dos depósitos guardados, chamado também de ‘reserva compulsória’. Se o banco A não tem dinheiro, por exemplo, pega emprestado do banco B em um empréstimo que tem como garantia os títulos públicos.
Em termos mais simples, o banco A vende para o banco B os títulos que possui, que paga o necessário para o primeiro banco fechar o caixa em dia. Mas por qual motivo o banco B aceitaria isso? Há a promessa de no dia seguinte, o B revender para o B os títulos, recebendo de volta não só valor emprestado, mas também uma taxa.
A média das taxas cobradas é registrada no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, ou seja, a Selic. A taxa básica praticada na economia é a média destas taxas.
Se o Banco Central deseja elevar as taxas, ele vende títulos para os bancos, o que eleva o preço de compra dos títulos para baixo, aumentando o retorno futuro. Para que isso valha a pena para o banco B, por exemplo, o outro banco terá de pagar taxas maiores para ter reservas suficientes, o que impulsiona a subida da Selic.
Por este motivo existe uma diferença entre a meta da Taxa Selic, que o Copom define, e a Selic efetiva, que é a taxa real praticada nessas operações de 1 dia entre os bancos.
Selic influencia em tudo
Não é apenas na inflação que a Selic impacta. Ela também impacta os títulos vendidos pelo Tesouro Direto e poupança. Ela também é um norte para o investidor, usada como o referencial aceitável de retorno para qualquer outro investimento.
Entende-se que só vale apena investir em títulos que rendam, no mínimo, o mesmo que a Selic — o investimento mais seguro do mercado.
Por que a inflação está nas alturas?
Já entendemos que a Selic está alta para conter as altas da inflação, mas por que a inflação está tão alta? Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, acumula alta de 5,79% no ano e de 11,39% em 12 meses.
O Brasil tem enfrentado uma inflação persistente desde 2021, cenário que sofreu um impacto ainda mais importante com o início da guerra na Ucrânia.
Há fatores internos e externos que explicam essa alta dos preços. Entre eles, a guerra na Ucrânia, o aumento dos casos de Covid-19 na China e o choque nos preços do petróleo — impactando o transporte de cargas, afetando toda a cadeia produtiva.
Embora a inflação tenha parte de suas raízes no exterior, fatores internos também explicam a sucessão de altas nos preços.
Fatores internos para alta da inflação
Algumas safras, plantações de produtos importantes para a exportação brasileira foram perdidas por períodos prolongados de seca e, em outros lugares, excesso de chuvas. Além disso, houve também a demanda por itens relativos à alimentos que vêm do exterior, como os agrotóxicos usados — com preço atrelado ao dólar.
Além disso, a alta do combustível fez com que houvesse aumento do preço dos alimentos pela logística de transporte. alta da gasolina impacta também a alta na energia, já que na falta de chuva, as usinas termelétricas são acionadas. Elas dependem de derivados de petróleo.
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