China busca recuperar a economia e retomar o protagonismo nos mercados globais

China enfrenta temor com novas ondas do covid-19. (Foto: Pexels)

O governo chinês anunciou estímulos para tentar alavancar a economia. O mercado já esperava algumas medidas, mas a magnitude e o ineditismo de alguns estímulos surpreenderam.

Paulo Gitz, estrategista global, e Maria Irene Jordão, analista global do Research da XP, comentam que o governo entregou uma ação coordenada, com estímulos maiores que os esperados e medidas de suporte ao mercado de ações, como uma linha de crédito subsidiada para empresas recomprarem ações.

Desde a pandemia, a China enfrentou momentos difíceis em comparação ao resto do mundo. As severas medidas de lockdown e a grande população contribuíram para essa situação. Após a reabertura, o consumo não retornou aos níveis anteriores, diferentemente do que ocorreu em países como os Estados Unidos. Gitz observa que a falta de estímulos e a severidade dos lockdowns deixaram o consumidor chinês mais retraído, afetando a recuperação econômica.

O governo chinês tem adotado estímulos pontuais, enquanto a relação entre Pequim e o setor privado se deteriorou. Um momento emblemático foi o cancelamento do IPO do Ant Group em 2020. Desde então, o governo tornou-se mais intervencionista e alterou a dinâmica de empresas de educação continuada, transformando-as em entidades sem fins lucrativos. Recentemente, essa postura começou a mudar, e o governo passou a ouvir mais as empresas.

Com a nova postura intervencionista, a visão geral para a China era negativa pela falta de crescimento da economia. No entanto, essa perspectiva mudou na última semana com a ação coordenada do governo e o anúncio de diversas medidas. Algumas dessas medidas já eram discutidas no mercado, como a taxa de refinanciamentos de imóveis.

Gitz acredita que o início do corte de juros pelo Federal Open Market Committee (Fomc) do Federal Reserve nos EUA foi um dos fatores que catalisaram o anúncio. O ciclo de afrouxamento da taxa de juros americana indica uma mudança na política monetária global e reduz o risco de desvalorização da moeda local. Ele destaca que uma taxa alta do Fed pressiona a moeda americana, tornando-a menos atrativa.

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