O Caso Americanas (AMER3), considerado uma das maiores fraudes da história do Brasil, completa um ano nesta quinta-feira, 11, após ter movimentado o mercado financeiro e sido um dos principais tópicos de conversa ao longo de todo 2023.
Com o passar dos dias, a gigante varejista divulgou que o rombo contábil, na verdade, era estimado em R$42,3 bilhões. Além do alto valor, a escassez de detalhes sobre os fatos logo após a sua divulgação aumentaram a preocupação em relação a esse escândalo.
Na época, o caso foi de ampla repercussão não só por envolver uma empresa que compunha o Novo Mercado, que reúne empresas com um alto nível de governança corporativa, que devem garantir mais segurança e confiança para o investidor na hora de investir, mas também por se tratar de uma das empresas mais conhecidas do país.
Relembre o caso
No dia 11 de janeiro de 2023 a Americanas emitiu um comunicado afirmando que foram identificadas “inconsistências em lançamentos contábeis” no balanço, em valor que chegava a R$ 20 bilhões. Em termos simples, a companhia afirmou que a quantia, que se refere aos primeiros nove meses de 2022 e anos anteriores, não tinha sido registrada da forma correta nos balanços corporativos.
“A existência de operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem (R$ 20 bilhões), nas quais a companhia é devedora perante instituições financeiras e que não se encontram adequadamente refletidas na conta de fornecedores nas demonstrações financeiras”, afirmou a nota da empresa na época.
Na ocasião, as ações da varejista registraram forte queda, despencando quase 80% na bolsa de valores no dia seguinte ao anúncio — maior queda diária de uma empresa de capital aberto na bolsa brasileira desde 2008.
Com a queda das ações, o ativo foi negociado em leilão ao longo do dia 12, um “mecanismo de defesa” que interrompe as negociações comuns para tranquilizar momentos de variação bruta de papéis, considerada uma prática já comum para quando um evento movimenta de forma drástica as ações.
Dias depois do caso ter eclodido na mídia, as casas de análise passaram a mudar as suas recomendações sobre o ativo, passando de sugestão de compra para venda. Foi o caso da Genial Investimentos, que divulgou um relatório em que reduziu o preço-alvo de AMER3 de R$ 28,40 para R$ 9,40.
“A companhia realizava operações chamadas de Risco Sacado, onde repassa a responsabilidade do pagamento a fornecedores para instituições financeiras. Isso, por sua vez, reduz a conta de Fornecedores no passivo, que teve seu valor declarado em R$5 bilhões no balanço do terceiro trimestre”, afirmou a casa na época.
Na época, o mercado ainda especulava que o valor do rombo poderia ser bem maior do que o anunciado, considerando que haviam poucas informações sobre o caso ainda naquele momento. “Não sabemos, até o momento, o quanto dos R$ 20 bilhões de fato estão fora do balanço e qual porcentagem desse valor estará sujeita a reclassificação de contas”, afirmou a Genial naquele momento
Na ocasião, a XP também comentou o caso, enxergando como riscos a alavancagem da companhia, considerando que o endividamento poderia aumentar; o maior custo de dívida e a deterioração do capital de giro, considerando a dificuldade em manter os pagamentos de fornecedores em dia.
Poucos dias depois, em 19 de janeiro, a companhia apresntou o seu plano de recuperação judicial durante a Assembleia Geral de Credores. O PSA (ou plan support agreement, sigla em inglês) da varejista contou com a adesão dos detentores de 97,19% da dívida da companhia, de R$ 42,5 bilhões. A companhia terá dois anos para executá-lo.

Fato Relevante da Americanas
No dia 13 de junho de 2023 a companhia divulgou um fato relevante em que assume oficialmente farsa bilionária nos seus resultados. O documento foi feito por assessores jurídicos que acompanham a varejista desde que ela entrou em recuperação judicial, no dia 19 de janeiro.
O documento apontou ainda que as demonstrações financeiras da empresa vinham sendo fraudadas pela antiga diretoria da companhia, que esteve a frente da companhia até o final de 2022. Entre os nomes, estão os de Miguel Gutierrez (responsável pelo comando da Americanas por 20 anos), Anna Saicali (presidente da Ame Digital), Timotheo Barros (vice-presidente) e Márcio Meirelles (vice-presidente).
No documento, esses e outros nomes da diretoria anterior foram acusados formalmente. E, ao que tudo indica, eles deverão ser alvo de investigação por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, eventualmente, das autoridades. Os documentos ainda demonstraram que haviam financiamentos inadequadamente contabilizados.
Ao todo, foram R$ 20,6 bilhões de fraude em empréstimos que a Americana tomava. Apesar das informações divulgadas no relatório, o documento diz não ser possível afirmar qual era o nível de conhecimento de cada sócio em relação aos números da companhia.
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