Americanas (AMER3) precisará de capitalização, mas não é possível estimar tamanho, afirma Rial

Americanas se envolveu em escândalo nesta semana. (Foto: Pixabay)

O agora ex-CEO da Americanas (AMER3), Sergio Rial, se pronunciou na manhã desta quinta-feira (12) afirmando que a empresa precisará de um aumento de capital para contornar o rombo contábil de R$ 20 bilhões identificado no balanço do terceiro trimestre de 2022. 

Ainda em seu pronunciamento, o executivo destacou que ainda não é possível estimar a necessidade de capital para realizar a operação, mas adiantou que provavelmente será um follow-on, considerando que a inconsistência calculada é preliminar e não passou por auditoria externa. 

“Ninguém definiu o valor. Mas sabemos que não será uma capitalização de [apenas] milhões”, disse Rial, em conferência com agentes de mercado. O executivo reforçou o compromisso dos acionistas de referência, da 3G (leia-se Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira). “Mas eles não podem ser a solução por si só. ‘Me dá um cheque e tá resolvido’, não é assim”, destaca. 

Dívida  

O ex-CEO da Americanas aproveitou o pronunciamento para esclarecer a que se refere a inconsistência encontrada, explicando que se tratam de operações de “risco sacado”. De acordo com Sergio Rial, vários pagamentos a fornecedores que eram financiados por bancos não estavam sendo considerados como dívida no balanço da empresa. 

“Basicamente, estamos dizendo que a dívida da companhia é maior”, resumiu Rial. “É um tema que permanece desde a década de 1990, um problema de estruturação de risco sacado que não era reportado como dívida”, avaliou. 

Rial salientou ainda que R$ 20 bilhões não estão fora do balanço da companhia, mas não garante que o valor é definitivo. “Os R$ 20 bilhões são a nossa melhor estimativa dentro do que tivemos de informação nesses nove dias”, disse o executivo. 

Explicações sobre erro no balanço 

Rial explicou que após assumir o cargo em 2 de janeiro, percebeu que os reportes de pagamento a fornecedores no balanço estavam distorcidos e começou investigar a questão. Ao checar as cartas de circularização enviadas aos bancos, não havia nenhuma sinalização de dívidas com as instituições financeiras, o que alertou o executivo. “Começamos a identificar sinais de que o nível de transparência não estivesse tão fluído como deveria”. 

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vem falando em ofícios sobre os problemas causados em contabilizar o risco sacado (ou forfait), destacando que o aumento artificial do lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, em inglês), estoques inflados e margem bruta distorcida as principais consequências. 

Por fim, Rial reconheceu que a notícia colocou a empresa no “corner”, mas destacou que prezou pela transparência ao comunicar o problema ao mercado logo que o percebeu, mesmo sabendo do impacto que traria para os papéis da empresa no mercado. “Eu tive uma ‘escolha de Sofia’. Eu falo ou não? Espero a auditoria ou não? Achei que era melhor errar [por ação] do que aguardar”, disse.  

O executivo ainda afirmou que se demonstra otimista com o futuro da companhia e aponta que o desempenho operacional no decorrer do ano será importante para superar a situação. “Quanto mais vendermos, menor será o problema”. 

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